Associação reúne setor de Educação e Qualidade e instrutores brasileiros para detalhar atualizações da certificação Q-Grader e o novo sistema de avaliação de valor da SCA
O mercado de cafés especiais vive um momento de transformação histórica. Ontem, 25 de fevereiro, a BSCA realizou um webinar estratégico para apresentar o Novo Q-Grader, agora sob gestão direta da Specialty Coffee Association (SCA). O evento não apenas esclareceu as mudanças técnicas, mas reforçou o compromisso da associação em democratizar o conhecimento e fortalecer a conexão entre todos os elos da cadeia produtiva.
Visão estratégica: Brasil na “primeira divisão”
A abertura foi conduzida pelo presidente da BSCA, Luiz Roberto Saldanha, que definiu o momento como o despertar de uma nova consciência para a cafeicultura nacional. Com o otimismo de quem conhece o potencial do campo, Saldanha enfatizou que a tecnologia e os novos protocolos servem, acima de tudo, às pessoas.
“O Brasil é o maior produtor de arábica e o segundo de canéfora, mas tudo isso é feito por pessoas. Se não nos capacitarmos para estar na vanguarda, perdemos a oportunidade de adicionar valor à nossa cadeia. Queremos usar esse novo sistema para descobrir valor e compartilhar essa experiência com quem produz, transforma e consome o café especial brasileiro”, afirmou.
CVA: a evolução do protocolo
A grande inovação da certificação reside na adoção do Coffee Value Assessment (CVA) como novo padrão. O sistema rompe com o modelo de 2004 para oferecer uma análise multiperspectiva: física, descritiva, afetiva e extrínseca.
A instrutora Cecília Sanada, voz respeitada internacionalmente, destacou o caráter revolucionário dessa transição:
“O novo sistema separa a descrição objetiva do café da nossa percepção de valor. Isso é revolucionário. O avaliador agora tem ferramentas para ser mais preciso tecnicamente, mas também para entender como aquele café se posiciona comercialmente no mundo real”, explicou.
Menos barreiras, mais conhecimento
Um dos pontos mais celebrados foi a regionalização do programa. O instrutor João Vitor Mingorance, da Lucca Cafés Especiais, ressaltou que a formação de instrutores locais (ASTs) e a reprecificação do programa são vitórias fundamentais para a inclusão. Os royalties pagos à SCA, que antes beiravam os 450 dólares, foram reduzidos para 100 dólares por aluno.
“Estamos democratizando o acesso. Com instrutores locais e materiais em português, derrubamos barreiras históricas. O novo Q-Grader é mais dinâmico, com exames focados no que realmente importa para a consistência do provador. É um convite para que mais brasileiros busquem essa excelência”, celebrou.
Rigor Técnico e Inteligência Sensorial
Embora o número de exames tenha sido otimizado — passando de 19 para 9 exames oficiais (8 práticos e 1 teórico) — o rigor permanece elevadíssimo. O instrutor Ivan Heyden detalhou que o curso agora foca intensamente na objetividade e na coerência do provador.
“O sistema ficou mais inteligente. A separação entre o julgamento subjetivo e o objetivo permite que o aluno saia como um provador estratégico. O foco no vocabulário internacional compartilhado garante que falaremos a mesma língua do mercado global, seja no frutado, no floral ou na classificação de defeitos”, afirmou Ivan.
Sustentabilidade e futuro
O webinar deixou claro: o Novo Q-Grader é o futuro adaptado à realidade de um mercado que busca sustentabilidade e autenticidade. Para os profissionais que desejam se preparar, a BSCA recomenda os cursos de Sensory Skills do Coffee Skills Program da SCA como a base ideal.
Próximos passos
Todas as informações sobre datas, locais e instrutores estão disponíveis no portal BSCA Academy e através da nossa newsletter mensal.